quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. Das horas que passei à sombra dos teus gestos bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos, das noites que vivi acalentando pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo. Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente. E posso te dizer que o grande afeto que te deixo não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas nem as misteriosas palavras dos véus da alma... É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias e só te pede que te repouses quieta, muito quieta
e deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar estático da aurora. - Vinícius de Moraes
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Literatura
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