quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


“Fim de tarde. Friozinho. Filme na televisão. Juro, fazia muito tempo que não pensava em você. Eu andava enganando a emoção, distraindo o sentimento e passando a rasteira no coração. E juro que estava conseguindo. Estava orgulhosa de mim. Até esse bendito fim de tarde. Não, acho que foi o frio. Pensando bem, talvez tenha sido o filme. O que importa é que fui invadida por uma avalanche. O cara do filme tinha um sorriso igualzinho ao seu. Na realidade era parecido. Ninguém é igual a você. Você é único. E sem comparações. Perdoa pelo equívoco. Ele tinha um sorriso que lembrava o seu. Ficou melhor assim. Nesse minuto a avalanche me pegou. Que saudade de você! Será que dá pra voltar no tempo? Mais uma maluquice minha, não podemos voltar no tempo, sei disso. Mas eu queria. Eu quero. E não pode. Não foi o dum de tarde, nem o frio, nem o filme. Sou eu. Eu que tento me passar a perna. Fica mais fácil assim. Dá pra levar assim. É mais simples assim. Eu já disse que você é único? Vou repetir ú-n-i-c-o. Ninguém chegou no lugar que você ocupou. E talvez ninguém chegue. Já valeu a pena por isso. Em todo o caso, se der pra voltar no tempo, liga pra mim.” —  Clarissa Corrêa

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