terça-feira, 13 de novembro de 2012
Consciência Negra: Ellen Johnson
Ellen Johnson Sirleaf, de 74 anos, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, fez história em 2005 como a primeira mulher eleita presidente na Libéria (África), país saído de 15 anos de guerras civis. Ellen Johnson-Sirleaf, foi eleita presidente da Libéria em 2005. É a primeira mulher a governar um país africano. Sua vida é um exemplo de coragem e determinação. Estudou na Universidade de Harvard e em 1970 foi nomeada ministra da Fazenda pelo então presidente Willian Tolbert. Em 1985 foi condenada a dez anos de prisão por criticar publicamente, durante sua campanha ao Senado, os militares que governavam a Libéria. Logo após ser presa foi exilada, trabalhou como economista do Banco Mundial e só retornou ao seu país em 1997, quando concorreu pela primeira vez à presidência e obteve 10% dos votos. Em 2005, liderando o Partido da Unidade, voltou a concorrer e venceu no segundo turno o jogador de futebol George Weah. A Libéria foi fundada por ex-escravos libertados em 1847 nos Estados Unidos e a capital Monrovia é uma homenagem ao ex-presidente americano James Monroe. A eleição de Ellen aconteceu após 15 anos de guerra civil durante a qual morreram 250 mil pessoas de uma população de 3 milhões. “Seus votos foram por mudanças, por paz e por segurança. Não é uma mudança qualquer, mas uma ruptura com o passado que nos permita resolver os problemas que durante décadas impediram nosso desenvolvimento”, disse a presidenta no seu discurso de posse. Conhecida em seu país como 'a dama de ferro', Sirleaf garimpou a maior parte do seu apoio entre as mulheres liberianas e a pequena elite com mais acesso à educação no país. A atual presidente, nascida em 1938, tem em seu currículo passagens pela ONU e o Banco Mundial, além de ter encabeçado o Ministério das Finanças da Libéria nos anos 1970, durante o mandato do então presidente William Tolbert. Durante seu governo, Johnson-Sirleaf pôs em marcha programas de educação para mulheres e criou um tribunal especial para casos de estupro - rompendo um tabu na política do país. Ela tem sido criticada principalmente por sua ligação com o ex-líder Charles Taylor, que se tornou um proeminente 'senhor da guerra' africano após o assassinato do ex-presidente da Libéria, Samuel Doe, e acabou se elegendo presidente do país. Em um depoimento na Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria em 2009, Sirleaf admitiu ter apoiado Taylor inicialmente, mas disse que foi ludibriada a crer que a guerra era necessária para causar uma mudança no país e por não manter as promessas a nível econômico e social e, sobretudo, por não se ter envolvido suficientemente na reconciliação do país. Sirleaf diz pretender continuar o trabalho de reconstrução da Libéria, considerando que o país tem "ainda um longo caminho a percorrer". Desde que assumiu funções, iniciou uma 'operação de charme' junto de instituições financeiras internacionais que a conhecem bem: economista formada em Harvard, com quatro filhos e oito netos, o seu objectivo é acabar com a dívida e atrair investidores para a reconstrução do país, o que conseguiu em parte. A luta contra a corrupção e por profundas reformas institucionais na mais antiga República da África subsaariana, fundada em 1988 por escravos libertados dos Estados Unidos, esteve sempre no centro da sua ação política. Este combate, do qual resulta a alcunha "Dama de ferro", valeu-lhe ser presa duas vezes nos anos 1980, sob o regime de Samuel Doe. Mas a sua tarefa é difícil, devido aos escândalos de corrupção na Libéria e às profundas divisões que resultaram das guerras fratricidas que, de 1989 a 2003, causaram cerca de 250 mil mortos. O prêmio Nobel que lhe foi atribuído confirma a fama que Ellen Johnson Sirleaf tem no estrangeiro e constitui um impulso antes das eleições presidenciais de terça-feira, às quais se recandidata.
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